sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
UMA ALIANÇA PERFEITA!
Deus fez uma Aliança com seu povo. Para fazer parte desta Aliança Ele também instituiu como requisito um selo, uma marca que significasse que todos os aceitos por Ele deveriam ter essa marca, o selo da circuncisão (no caso da Aliança com Abraão). Os que são parte da família da Aliança deveriam ser circuncidados. Mas o que é essa aliança? Qual o seu significado? Ao pesquisarmos o termo aliança nos deparamos com vários significados. Pois definir o termo é uma tarefa extremamente difícil, no entanto levantaremos algumas questões aqui para melhor esclarecimento.
Houveram algumas tentativas de definir o termo aliança do Hebraico "Berith" (ברית) porém sem muito sucesso. Uma das tentativas de fazer ligação do termo com “fecho, cadeia”, considerando assim a aliança como um vínculo. Outra tentativa está relacionada ao termo “entre”, portanto, considera a aliança como um acordo entre duas partes. Existem ainda dezenas de estudos, mas nenhum com sucesso. Sendo assim, o significado de aliança deve ser buscado por meio do estudo de seu uso. Às vezes um significado predomina, às vezes outro, e não se pode distinguir as fontes mais antigas das mais recentes. Aliança ou Pacto, tem a mesma raiz do hebraico o que por si só traz toda uma gama de significados. Como bem disse Eichrodt, “A união de Aliança entre Yahwe e Israel é um elemento original em todas as fontes...”. A compreensão de como Deus restaura o relacionamento quebrado pelo homem em toda a escritura é de suma importância. É claro que não nos deteremos aqui no tema aliança de forma extensiva, mas é preciso mostrar como ela serve de pano de fundo e também como a linha que perpassa toda a história da redenção.
Olhando para a complexidade da Aliança e todos os seus detalhes, todas as suas implicações, poderíamos chegar à conclusão que essa forma de agir, esse tipo de tratado seria totalmente estranho a Abraão. No entanto ao que parece ele não estranha uma Aliança proposta pelo próprio Yahwe. Em seu livro “O Deus da Promessa” Michael Horton mostra como esse tipo de acordo era comum num relacionamento entre Suseranos (senhores) e Vassalos (escravos), naquele período. É claro que guardando as devidas proporções podemos dizer que alianças, pactos, acordos eram mais que comuns. Horton, mostra que havia uma estrutura nesses pactos. O primeiro aspecto que ele ressalta é que os pactos tinham preâmbulos que geralmente identificava quem fez o pacto. O segundo aspecto era um prólogo histórico. O que tinha acontecido anteriormente. O que fez ambas as artes chegarem a esse acordo. O terceiro eram as estipulações que se seguiriam no desenrolar do pacto. Nessas estipulações era comum que fosse chamado como testemunhas os deuses, sob a pena de que se alguma das partes descumprisse o pacto sofreriam as conseqüências. Havia ainda promulgação do pacto perante todo o povo, leitura para as gerações futuras para que não esquecessem que estavam sob um pacto feito por seus antepassados. Uma cerimônia pública que selava e colocava em vigor o pacto e neste ritual o suserano e vassalo passavam entre as partes cortadas de um animal simbolizando que deveria acontecer o mesmo que acontecera ao animal com aquele que quebrasse o pacto. Sendo assim, encontramos Deus utilizando de uma prática comum da época para ensinar o povo que era necessário o sangue e a morte de um inocente para selar o acordo-aliança feita entre as duas partes. O que encontramos neste exemplo é a sombra do que viria ser a realidade para a aliança de Deus com seu povo, tendo em Cristo o exemplo perfeito de inocente que derramaria o seu sangue para selar a aliança redentiva. Desta forma a aliança perfeita feita por Deus conosco está baseada na morte do inocente Cristo Jesus, não em méritos humanos.
Rev Alan Alves
BIBLIOGRAFIA:
SANTOS, Alan Alves. Batismo infantil, sinal da aliança. Uma defesa bíblica, histórica e teológica do Pedobatismo. São Paulo 2014. Monografia apresentado como trabalho de conclusão do curso de Bacharel em Teologia do Seminário Presbiteriano José Manuel da Conceição.
HORTON, Michael, apud EICHRODT, Walter. O Deus da Promessa. Introdução à Teologia da Aliança. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2010. PP 17.

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